Atualizado em: 03/11/2026
- Erros de mitologia corrigidos nas seções sobre Górgonas, Minotauro, Ciclopes, Hidra e ninfas.
- Introdução e conclusão agora tratam das 11 criaturas do artigo (antes diziam cinco).
- Texto do Curupira reescrito e seção de Sereias ajustada à versão grega original.
- Novos Fatos Rápidos, Sumário, Nota e lista de fontes; FAQ reorganizado em 5 perguntas.
- Legendas e descrições das imagens revisadas.
- Quando: mitos gregos registrados em poemas a partir de cerca do século VIII a.C.
- Onde: Grécia antiga e, no caso do Curupira, o Brasil
- Quem: 11 seres, entre monstros, ninfas e espíritos da mata
- Por que importa: as criaturas fantásticas mostram os medos e os valores de cada povo
As criaturas fantásticas da mitologia grega e do folclore brasileiro continuam vivas em livros, filmes e conversas. Neste artigo, você conhece 11 delas: de onde vieram, o que faziam nas histórias e o que os antigos contavam sobre cada uma.
Para começar, uma dúvida clássica: Medusa já era um monstro ou virou um? Na versão do poeta romano Ovídio, ela foi uma jovem bonita antes de se transformar. Nas versões gregas mais antigas, as Górgonas já eram assustadoras.
Prepare-se para uma viagem por monstros, deuses e seres encantados. Essas criaturas fantásticas têm mais de uma versão, e vamos mostrar o que muda de uma para outra. Vamos começar?
Górgonas
As Górgonas eram três irmãs da mitologia grega: Medusa, Esteno e Euríale. Pela Teogonia, de Hesíodo, eram filhas das divindades marinhas Fórcis e Ceto.
Só Medusa era mortal. Ela é a mais famosa, com serpentes no lugar dos cabelos, e quem encarasse seus olhos virava pedra.
O herói Perseu a derrotou com ajuda dos deuses. Ele olhou apenas para o reflexo no escudo polido e cortou a cabeça da Medusa sem encará-la.
| Górgona | Características |
|---|---|
| Medusa | Cabelos de serpente; mortal, morta por Perseu |
| Esteno | Imortal, irmã de Medusa |
| Euríale | Imortal, irmã de Medusa |
A origem de Medusa muda conforme a fonte: bela e castigada pela deusa Atena em Ovídio, monstruosa de nascença em outras tradições. Para ver os detalhes dessas versões, leia a história de Medusa.
Tifão
Tifão é um dos monstros mais temidos entre as criaturas fantásticas gregas. Segundo Hesíodo, tinha cem cabeças de serpente.
Era filho de Gaia, a Terra, e de Tártaro, o abismo do mundo subterrâneo. Autores posteriores o descrevem tão alto que tocava as estrelas.
Quando Tifão atacou o Olimpo, os deuses fugiram. Em um dos relatos, ele chegou a ferir Zeus, que se recuperou e o venceu com seus raios.
Alguns autores gregos dizem que Zeus prendeu Tifão sob o monte Etna, na Sicília. Hesíodo atribui a ele a origem dos ventos de tempestade que ameaçam os navegantes.
Équidna
Équidna era metade mulher, metade serpente. Hesíodo a descreve com rosto belo e corpo de serpente, vivendo numa caverna, longe de deuses e de humanos.
Com Tifão, teve filhos monstruosos, e por isso é chamada de Mãe dos Monstros. A lista muda conforme o autor, mas costuma incluir Cérbero, o cão que guardava o mundo dos mortos, a Hidra de Lerna e a Quimera.
Em uma tradição, ela foi morta enquanto dormia por Argos, o gigante de cem olhos.
Sereias
Na mitologia grega, as sereias eram metade ave, metade mulher. Com um canto irresistível, atraíam os marinheiros para a destruição. Na Odisseia, de Homero, elas vivem numa ilha no mar do oeste.
A sereia com cauda de peixe, que hoje é a imagem mais comum, aparece só bem depois da Antiguidade, em obras da Idade Média.
Odisseu quis ouvir o canto sem morrer. Tapou com cera os ouvidos dos companheiros e pediu para ser amarrado ao mastro do navio.

| Característica | Descrição |
|---|---|
| Corpo | De ave, na arte grega antiga |
| Rosto | De mulher |
| Poder | Canto que atraía os marinheiros |
| Odisseu | Ouviu o canto amarrado ao mastro e sobreviveu |
Hipocampos
Entre as criaturas fantásticas do mar, os hipocampos têm a parte da frente de cavalo e a de trás de peixe. O nome deu origem ao do cavalo-marinho, o animal de verdade.
Eles puxavam a carruagem de Poseidon, deus do mar, e serviam de montaria às nereidas, ninfas marinhas.
Também simbolizavam o encontro entre a terra e o mar: a metade cavalo lembrava o mundo terrestre, e a de peixe, o oceano.
Curupira
O Curupira não é grego: é uma das criaturas fantásticas do folclore brasileiro, de origem indígena. Protetor das matas, tem cabelos vermelhos e os pés virados para trás, o que faz quem segue suas pegadas se perder.
O nome vem do tupi e, segundo uma explicação muito citada, significa “corpo de menino”. Já no século XVI, o padre José de Anchieta registrou relatos sobre esse ser, de acordo com o Toda Matéria.
As histórias mudam de região para região. Em algumas, ele pune quem caça ou derruba árvores sem necessidade; em outras, é apaziguado com oferendas, como fumo. Muita gente o confunde com a Caipora, outro guardião da mata do nosso folclore.
Minotauro
O Minotauro tinha corpo de homem e cabeça de touro. Nasceu de Pasífae, rainha de Creta, e de um touro que Poseidon havia enviado ao rei Minos. Minos não sacrificou o animal como prometido, e o deus se vingou.
Seu nome era Astério. O arquiteto Dédalo construiu o labirinto onde o monstro foi preso, a pedido de Minos.
Depois da morte de Androgeu, filho de Minos, Atenas passou a enviar jovens a Creta como tributo, e eles eram entregues ao Minotauro.
O herói Teseu se ofereceu para enfrentar a fera. Ariadne, filha de Minos, deu a ele um novelo de fio para achar a saída, e ele matou o monstro. As versões divergem sobre como.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Nome | Astério |
| Pais | Pasífae e um touro |
| Labirinto | Construído por Dédalo, a pedido de Minos |
| Morte | Teseu, no labirinto |
Quer ir além do mito? Veja também o mistério do Minotauro.
Quimera
A Quimera era um monstro que cuspia fogo e assombrava a região da Lícia, na Ásia Menor. Hesíodo fala em três cabeças: de leão, de cabra e de serpente.
Costuma ser contada entre os filhos de Équidna. Na Ilíada, Homero a descreve com a frente de leão, o meio de cabra e a parte de trás de serpente.

O herói Belerofonte a derrotou montado em Pégaso, o cavalo alado. Segundo uma tradição, usou uma lança com ponta de chumbo, que derreteu com o calor do fogo do monstro e o sufocou.
Hoje, a palavra quimera também significa um sonho impossível de realizar. Ela vem do nome do monstro.
Ninfas
As ninfas eram divindades menores ligadas à natureza, descritas como moças belas. Não eram deusas do Olimpo, mas viviam muito mais do que os humanos.
Cada grupo tinha seu lugar: as dríades, nas árvores e florestas; as náiades, em rios e fontes; as nereidas, no mar; e as oréades, nas montanhas.
Algumas cuidaram da infância de deuses, como a do deus Dioniso. Muitas histórias também contam seus amores com deuses e mortais, nem sempre felizes.
| Tipo de ninfa | Onde vive |
|---|---|
| Dríades | Árvores e florestas |
| Náiades | Rios, lagos e fontes |
| Nereidas | Mar |
| Oréades | Montanhas e grutas |
Ciclopes
Os ciclopes eram gigantes com um só olho redondo no meio da testa. Segundo o InfoEscola, a mitologia reúne três grupos bem diferentes com esse nome.
Os primeiros, descritos por Hesíodo, eram três irmãos: Arges, Brontes e Estéropes, filhos de Urano e Gaia. Zeus os libertou do Tártaro, e eles forjaram o raio de Zeus, o tridente de Poseidon e o elmo de Hades.
Na Odisseia, aparece outro tipo: pastores selvagens, que viviam sem leis. O mais famoso é Polifemo, filho de Poseidon, que prendeu Odisseu e seus homens numa caverna.
Odisseu disse se chamar “Ninguém”, embebedou Polifemo e o cegou com uma estaca afiada. Quando o ciclope pediu socorro, os outros ouviram que “Ninguém” o atacava e não foram ajudar.
Há ainda uma terceira tradição, que atribui a esses gigantes a construção de cidades como Micenas e Tirinto.
Hidra
A Hidra de Lerna era uma serpente aquática de várias cabeças, que vivia nos pântanos perto da cidade de Lerna. Era filha de Tifão e Équidna, segundo os relatos.
Seu veneno era mortal, e cada cabeça cortada dava lugar a duas novas. O número de cabeças varia de um autor para outro, mas as versões mais conhecidas falam em nove, sendo a do centro imortal.
Matá-la foi o segundo trabalho de Héracles, o Hércules dos romanos. Com ajuda do sobrinho Iolau, que queimava cada ferida com fogo, ele impediu as cabeças de voltar e enterrou a cabeça imortal sob uma grande rocha.
| Característica | Descrição |
|---|---|
| Aparência | Serpente aquática com várias cabeças |
| Poder | Cabeças que cresciam de novo; veneno mortal |
| Derrotada por | Héracles, com ajuda de Iolau |

Conclusão: criaturas fantásticas que atravessam o tempo
Voltando à pergunta do começo: Medusa era bela ou monstruosa? Depende de quem conta a história. É isso que torna as criaturas fantásticas tão interessantes: cada autor e cada época as reinventou.
Dos monstros de Hesíodo ao Curupira do nosso folclore, essas histórias revelam os medos e os valores de cada povo. Qual delas é a sua favorita?
Veja também: Curiosidades sobre a mitologia grega
Perguntas Frequentes sobre criaturas fantásticas
Quais são as 11 criaturas fantásticas deste artigo?
São as Górgonas, Tifão, Équidna, as sereias, os hipocampos, o Curupira, o Minotauro, a Quimera, as ninfas, os ciclopes e a Hidra.
Como era a Medusa na mitologia grega?
Medusa era uma das três Górgonas, com serpentes no lugar dos cabelos e um olhar que transformava em pedra. Perseu a derrotou olhando apenas para o reflexo em seu escudo.
Quem derrotou o Minotauro?
Foi Teseu, herói de Atenas, com a ajuda de Ariadne, que lhe deu o fio para achar a saída do labirinto.
Como eram as sereias da mitologia grega?
Eram metade ave e metade mulher, e seu canto atraía os marinheiros para a morte. A sereia com cauda de peixe surgiu depois da Antiguidade.
O Curupira faz parte da mitologia grega?
Não. O Curupira é um personagem do folclore brasileiro, de origem indígena, conhecido como protetor das florestas.
- Toda Matéria: Curupira, história, características e origem da lenda (consultado em 11/2026)
- InfoEscola: Ciclopes, mitologia grega (consultado em 11/2026)
- Encyclopaedia Britannica, verbetes Siren e Hydra (em inglês, sem versão em português)







