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Mitos e Verdades sobre os Vikings: o Que Dizem as Fontes

Veja o que é mito e o que é fato sobre os vikings, do capacete com chifres ao DNA, com fontes citadas. Leia e compare as versões.

Barco de madeira ancorado em fiorde com neblina e montanhas ao fundo no amanhecer
Dados conferidos em 21/10/2026 | A contagem de capacetes da era viking e as datas de pesquisas recentes citadas aqui foram conferidas nas fontes indicadas ao longo do texto. Novos achados e novos estudos podem alterá-las.
Em Resumo:

  • O que é: ‘viking’ nomeava uma atividade de expedição e pirataria, e não um povo único.
  • Origem: a era viking vai de cerca de 750 a 1050 d.C., com os primeiros ataques registrados nas ilhas britânicas no fim do século VIII.
  • O que se sabe: nenhum capacete com chifres foi encontrado, o DNA mostra um grupo diverso e há prova arqueológica de nórdicos na América do Norte por volta de 1021.
  • O que é lenda ou está em disputa: beber em crânios nasceu de um erro de tradução, e a ‘águia de sangue’ segue em debate.
  • Por que importa: boa parte da imagem popular foi criada séculos depois, por artistas e escritores.

Capacete com chifres, barba ruiva e um barco cheio de saqueadores. A cena é tão repetida em filmes, jogos e torcidas de futebol que parece documentada.

Este artigo separa o que as fontes sustentam do que foi acrescentado depois. Cada ponto traz a fonte e diz se é fato, hipótese ou lenda.

Em vários casos, quem criou a imagem foram artistas e escritores de séculos posteriores, e não os próprios nórdicos.

Nota | Este artigo trata de violência real e de relatos de tortura, apresentados sem detalhes gráficos e com respeito às vítimas. As tradições e a mitologia nórdicas são tratadas como tradições, segundo as próprias fontes, sem endosso nem escárnio.
Ikings Mitos Capacete Liso
Imagem ilustrativa gerada por IA. Capacete liso que ilustra o debate sobre os vikings, sem mostrar peça de museu nem objeto histórico real.

Capacete com chifres: de onde veio a imagem

Segundo a National Geographic Brasil, o único capacete da era viking encontrado até aquele ano veio de Gjermundbu, em Ringerike, na Noruega. Foi descoberto em 1943, quebrado em fragmentos, e restaurado depois.

Ele não tem chifres. A historiadora Eleanor Barraclough, citada na matéria, descreve o desenho como simples, parecido com uma máscara, sem pontas nem enfeites.

A contagem pode mudar. O portal ScienceNorway, em inglês, informa que o Museu de História Cultural de Oslo já reconhece um segundo capacete quase completo, encontrado na Inglaterra nos anos 1950 e depois identificado como da era viking. O mais seguro é dizer que sobraram pouquíssimos capacetes dessa época e que nenhum tem chifres.

As imagens feitas na própria era viking ajudam a completar o quadro. Segundo o estudioso Brian McMahon, da Universidade Oxford Brookes, os guerreiros aparecem de cabeça descoberta ou com capacetes simples, possivelmente de ferro ou couro. Figuras com chifres existem na arte nórdica, como na tapeçaria de Oseberg, mas costumam representar deuses ou monstros.

A imagem popular tem data e autor conhecidos. Na estreia da ópera O anel do nibelungo, de Richard Wagner, no Festival de Bayreuth, em 1876, o figurinista Carl Emil Doepler vestiu os personagens com capacetes de chifres. O pintor sueco Johan August Malmström também usou o adereço em ilustrações de sagas nórdicas.

O professor Johnni Langer, da Universidade Federal da Paraíba, explicou ao g1, em reportagem reproduzida pela TMC, que a imagem se espalhou a partir dos anos 1870 pela Europa, pelos Estados Unidos e pelo Brasil. Segundo ele, ela servia a nações que queriam projetar força militar.

Pesquisadores citados pela National Geographic levantam uma hipótese sobre a inspiração: Doepler e Malmström podem ter se baseado em capacetes antigos com chifres achados em sua época, que depois se mostraram anteriores à era viking.

Mito x Verdade | Mito: os vikings usavam capacetes com chifres. O que a fonte mostra: segundo o Canaltech, não há capacete com chifres nos enterros nem nos campos de batalha deixados pelos vikings. De onde vem: dos figurinos de Doepler, de 1876, e das pinturas do século XIX.

Viking era um povo ou uma atividade?

Segundo a National Geographic Brasil, ‘viking’ designa uma atividade, e não uma nação. Nos dois séculos da era viking, a maior parte dos habitantes do norte da Europa vivia de pesca, agricultura, comércio e artesanato, segundo a mesma matéria.

McMahon escreve que se tornar viking era algo que um homem podia fazer na juventude para ganhar honra, e que era raro alguém passar a vida inteira em ataques ao exterior. O Canaltech acrescenta que, nas inscrições rúnicas, a palavra aparece só na expressão ‘fara i viking’, algo como sair em expedição de pirataria, guerra ou comércio.

A cronologia costuma ser dada assim: a era viking vai de cerca de 750 a 1050 d.C., e o ataque ao priorado de Lindisfarne, na Inglaterra, em 793, marca o início da fase europeia, segundo a mesma matéria da National Geographic.

Os pesquisadores divergem | A origem da palavra é incerta. McMahon lembra que ‘vik’ significa baía ou riacho, como em Reykjavik. O historiador sueco Fritz Askeberg defende outra leitura: o verbo nórdico vikja, ligado a romper e desviar, descreveria quem rompeu com as normas e saiu ao mar. As duas versões seguem em disputa.

Beber em crânios: um erro de tradução

A cena de guerreiros bebendo cerveja em crânios de inimigos nasceu no século XVII. Ole Worm, médico da corte do rei da Dinamarca e estudioso de runas, publicou em 1636, segundo a National Geographic Brasil, uma pesquisa que citava um poema nórdico. Nele, o herói diz que beberá cerveja em Valhalla, o paraíso dos guerreiros mortos na mitologia nórdica.

A expressão do poema era uma imagem poética para chifres de animais. Worm a traduziu para o latim como beber nos crânios de quem foi morto, e o equívoco se espalhou. A matéria observa que outros povos teriam bebido em crânios de inimigos, mas o hábito acabou associado aos vikings.

Mito x Verdade | Mito: os vikings bebiam em crânios dos inimigos. O que a fonte mostra: o poema falava de chifres, e a leitura de crânios vem da tradução de Worm. De onde vem: da pesquisa sobre runas publicada por Worm no século XVII.

A ‘águia de sangue’: prática real ou licença poética?

A ‘águia de sangue’ aparece em fontes medievais como uma execução brutal, e a National Geographic Brasil registra que alguns relatos ligam o rito ao deus Odin. A primeira referência está em um verso escáldico, a poesia de corte dos nórdicos.

Segundo a National Geographic Brasil, Roberta Frank, da Universidade de Yale, questiona há tempos a veracidade do ritual. Ela acredita que ele nasceu entre os primeiros escritores cristãos da Escandinávia, interessados em estigmatizar os antepassados pagãos, e que as descrições ficaram mais sinistras a cada século.

Em entrevista publicada pela National Geographic Brasil em 2024, Barraclough, da Universidade de Durham, diz que o verso provavelmente era um conceito poético: uma ave carnívora rasgando as costas dos mortos. Escritores posteriores teriam lido a imagem ao pé da letra.

Há também um teste anatômico. Cientistas da Universidade da Islândia e da Universidade Keele, em artigo na revista Speculum, concluíram que o ato seria possível com as ferramentas da época, mas a vítima morreria nos primeiros estágios. Só um cadáver poderia passar pelo procedimento completo.

Os pesquisadores divergem | Os acadêmicos discutem se o ato aconteceu. Frank e Barraclough veem imagem poética ou invenção literária posterior. O estudo no Speculum trata a execução como possível, mas improvável em uma vítima viva. Falta um corpo com marcas claras do ato, e o Canaltech lembra que não há evidência arqueológica.

Os vikings eram mais violentos que os outros?

Os ataques foram reais e causaram medo. O estudioso Alcuin de York descreveu o ataque a Lindisfarne, em 793, como um terror nunca visto na Grã-Bretanha.

O problema está em quem escreveu a história. Barraclough lembra que a Crônica Anglo-Saxônica, que registra o episódio, foi redigida cerca de cem anos depois. O Canaltech acrescenta que a maior parte das pessoas letradas eram padres, e seus textos tendem ao exagero.

Joanne Shortt Butler, da Universidade de Cambridge, afirma que a crueldade viking não diferia da de seu tempo. Como exemplo, ela cita a ordem de Carlos Magno, rei dos francos, de decapitar 4.500 saxões em Verden. Para um panorama de como a guerra mudou ao longo dos séculos, veja origens e evolução das guerras.

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Loiros, altos e de origem escandinava pura?

O maior estudo genético sobre o tema foi publicado na revista Nature em 2020. A National Geographic Brasil informa que ele reuniu dados genéticos de 442 pessoas, em restos mortais datados entre 2400 a.C. e 1600 d.C., reunidos em mais de 80 sítios no norte da Europa, na Itália e na Groenlândia.

O geneticista Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, que liderou o projeto, afirma que os vikings não formavam um grupo homogêneo. Muitos tinham ancestrais do sul da Europa ou do povo sami, e foram achadas, na Escócia, pessoas enterradas com objetos vikings sem origem genética escandinava.

Os indivíduos antigos tinham, em geral, cabelos e olhos mais escuros que um grupo qualquer de dinamarqueses de hoje. Lise Lock Harvig, da Universidade de Copenhague, descreve uma mistura de loiros, ruivos e morenos. Já a altura, segundo McMahon, ficava em torno de 1,73 metro, a média dos europeus da época.

O estudo tem limites. O arqueólogo Jesse Byock, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que não participou da pesquisa, lembra que ela se restringe a cerca de 450 esqueletos e é apenas um primeiro passo.

Mito x Verdade | Mito: todos os vikings eram altos, loiros e escandinavos. O que a fonte mostra: o DNA de 442 pessoas indica ascendência variada, com cabelos e olhos frequentemente mais escuros. De onde vem: segundo McMahon, do nacionalismo dos séculos XIX e XX, que promoveu os vikings como modelo do tipo nórdico.

Sujos e malcheirosos? O que os túmulos mostram

Os túmulos vikings escavados guardam pentes, pinças e navalhas ao lado de restos de homens e de mulheres, segundo a National Geographic Brasil. O Canaltech cita ainda pequenas colheres para limpar os ouvidos.

O Canaltech cita um relato do explorador árabe Ahmad Ibn Fadlan, de 921 d.C., sobre os vikings de Rus, no leste europeu: ele escreveu que se banhavam todos os dias, hábito que o estranhou. A National Geographic Brasil acrescenta uma hipótese, e não um fato comprovado: eles poderiam ter usado sabão forte contra piolhos, com o efeito colateral de clarear os cabelos.

O que a arqueologia confirma: nórdicos na América do Norte

Nem tudo sobre os vikings é mito. As Sagas da Vinlândia, duas sagas islandesas, narram a travessia de nórdicos da Groenlândia até a costa da América do Norte. Segundo Barraclough, elas foram escritas na Islândia do século XIII e eram a única fonte dessas viagens até os anos 1960.

Nessa década, escavações em L’Anse aux Meadows, na ponta da ilha de Terra Nova, no Canadá, mostraram evidências claras de visitantes nórdicos. Reportagem da Climatempo, com texto da Deutsche Welle, descreve os alicerces de oito construções: três residências, uma forja, uma serraria e três armazéns.

Você sabia? | Em 2021, uma equipe da Universidade de Groningen, liderada por Michael Dee e Margot Kuitems, publicou na Nature a data de 1021 para o corte de árvores no sítio. O método usou os anéis da madeira e o registro de uma tempestade solar de cerca de 992 a 993, e as árvores foram cortadas com ferramentas de metal.

Ainda há perguntas em aberto. Segundo a mesma reportagem, o número de expedições, a duração da ocupação e a quantidade de pessoas continuam desconhecidos. Os pesquisadores supõem uma estadia de cerca de uma década e talvez cem pessoas ao mesmo tempo.

Barraclough prefere não falar em colonos. Para ela, as casas parecem locais de invernada, onde os nórdicos consertavam navios antes de seguir para o sul. Dee resumiu o dilema: a data bate com as sagas, e fica a dúvida sobre quanto do resto delas é verdade.

Vikings Mitos Costa Do Atlantico Norte
Imagem ilustrativa gerada por IA. Costa do Atlântico Norte que acompanha o texto sobre os vikings, sem mostrar o sítio arqueológico real.
Afirmação que circulaO que a fonte mostraOrigem do mito
Capacete com chifresNenhum achado com chifres na era vikingFigurinos de 1876 e pinturas do século XIX
Viking era um povoDesignava uma atividade de expediçãoUso moderno da palavra
Bebiam em crâniosO poema falava de chifres de animaisTradução de Ole Worm, século XVII
Águia de sangueEm debate; sem evidência arqueológicaVerso escáldico lido de forma literal, segundo parte dos estudiosos
Mais violentos que os demaisViolência comparável à de outras sociedades da épocaRelatos escritos por clérigos
Loiros e escandinavos purosDNA indica ascendência variadaNacionalismo dos séculos XIX e XX
Sujos e malcheirososTúmulos trazem pentes, pinças e navalhasRelatos hostis de quem sofria os ataques

Veja também: outro mito histórico corrigido: a altura de Napoleão

Perguntas Frequentes

Os vikings usavam capacete com chifres?

Não há capacete com chifres entre os achados da era viking. A imagem se popularizou no século XIX, com figurinos de ópera e pinturas.

Viking é um povo?

Segundo os especialistas citados, o termo se refere a uma atividade de expedição e pirataria. A maioria dos nórdicos da época vivia de pesca, agricultura, comércio e artesanato.

Os vikings chegaram à América antes de Colombo?

Sim. O sítio de L’Anse aux Meadows, no Canadá, mostra a presença de nórdicos, e um estudo de 2021 na Nature datou o corte das árvores do local com precisão, quase cinco séculos antes de Colombo.

Os vikings bebiam em crânios de inimigos?

A ideia vem de uma tradução equivocada do século XVII. O poema nórdico falava de chifres de animais.

Existe prova da águia de sangue?

Não há evidência arqueológica, e os pesquisadores discutem se o ato aconteceu. Os relatos mais antigos estão em versos poéticos e em sagas escritas séculos depois.

Aviso: este conteúdo é informativo e foi escrito com base nas fontes indicadas, que podem ser atualizadas por novas pesquisas e descobertas. Lendas e tradições são apresentadas como tal, e nada aqui substitui orientação médica, jurídica ou financeira. As imagens ilustrativas, quando criadas por inteligência artificial, não mostram pessoas, objetos ou lugares históricos reais.

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Carl James

Sou Carl James, apaixonado por revelar o extraordinário escondido no cotidiano. No blog A História das Coisas, exploro as origens e curiosidades dos objetos e conceitos que fazem parte do nosso dia a dia. Se você ama uma boa história, explore o blog e mude sua forma de enxergar o mundo!

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