- A explicação: as plantas liberam sinais químicos no ar, emitem estalos de estresse e se ligam a fungos no solo, mas isso ainda não é conversa de propósito.
- O mecanismo: compostos voláteis que vizinhas e insetos detectam, sons ultrassônicos e raízes associadas a fungos.
- O que tem estudo: os voláteis e os estalos de estresse foram registrados em experimentos.
- O que está em disputa: a rede de fungos que funcionaria como internet das árvores.
- O que ainda não se sabe: se os sinais são enviados de propósito ou só aproveitados por quem está perto.
Uma planta mordida por uma lagarta não avisa a vizinha com palavras. Mesmo assim, há estudos que registram mudanças químicas, sons e respostas em plantas próximas.
O difícil é separar o que esses estudos mostram do que as manchetes acrescentam. Vale olhar o ar, o som e o solo, um de cada vez. O site também tem um texto sobre o tema em formato Você sabia.

Pelo ar: compostos que passam de folha em folha
As plantas liberam compostos orgânicos voláteis, substâncias que evaporam e se espalham no ar. Segundo a National Geographic Brasil, cada espécie tem a própria mistura, e os compostos cumprem funções variadas. Os de um fruto, por exemplo, atraem animais que o comem e espalham as sementes.
Quando uma lagarta come uma planta, ela também libera voláteis. A mesma reportagem conta que outros insetos percebem o cheiro e se aproveitam da lagarta. Plantas vizinhas foram observadas se preparando para a defesa antes de sofrerem o ataque.
Um estudo da Nature Communications, segundo o portal DOL, filmou plantas modificadas para acender em verde quando recebem íons de cálcio. Pesquisadores das universidades de Saitama e Yamaguchi, no Japão, viram plantas intactas responderem aos voláteis de vizinhas feridas com surtos de sinalização de cálcio que se espalharam pelas folhas.
Há também um resultado de 2026. Segundo a Revista Cultivar, um estudo com cevada, divulgado em 28/05/2026, mostrou que plantas sem dano emitem voláteis capazes de alterar crescimento e expressão de genes em vizinhas. Foi um experimento de laboratório, com plantas em condições controladas, o que limita o que se pode dizer sobre o campo.
Pelo som: estalos que o ouvido humano não capta
Em março de 2023, uma equipe da Universidade de Tel Aviv, liderada por Lilach Hadany, publicou na revista Cell gravações de tomateiros e plantas de tabaco sob estresse. Segundo o Tecmundo, as plantas sem estresse emitiram menos de um som por hora, e as que ficaram sem água ou tiveram o caule cortado emitiram dezenas por hora.
Segundo o Itatiaia, os estalos ficam na faixa de 40 a 80 quilohertz, acima do que o ouvido humano percebe, e foram captados a até 5 metros. Nas plantas sem água, o som vem da cavitação: bolhas de ar se formam, expandem e colapsam, e isso causa vibrações.
Os autores também treinaram modelos de aprendizado de máquina que identificaram o nível de desidratação e de lesão apenas pelos sons, segundo o Observador. O mesmo texto lembra que o estudo cobriu poucas espécies e poucas condições.
Alguém escuta esses estalos? Segundo o estudo, relatado pelo Itatiaia, já se mostrou que plantas respondem a sons, mudando a expressão de certos genes ou aumentando o açúcar do néctar. Por isso os autores consideram que os estalos poderiam provocar respostas em organismos próximos. É uma possibilidade levantada por eles, e não uma observação feita em ambiente natural.
Pelo solo: fungos, raízes e uma disputa aberta
As raízes de muitas plantas se associam a fungos numa relação chamada micorriza. Segundo o jornal Público, na versão do Agroportal, os fios do fungo oferecem água e nutrientes do solo e recebem das plantas moléculas de açúcar. Quanto a isso, não há grande discordância.
A discordância começa na ideia de que esses fungos ligam árvores diferentes numa rede comum. Nos anos 1990, a ecóloga Suzanne Simard usou carbono radioativo para acompanhar o fluxo de nutrientes entre árvores de idades diferentes. O trabalho rendeu à Nature, em 1997, uma capa com o termo wood-wide web, conforme o mesmo texto.
Em fevereiro de 2023, Justine Karst e dois coautores publicaram na Nature Ecology & Evolution uma análise de citações. Eles examinaram 593 artigos sobre a estrutura dessas redes e 1083 sobre a função, e seguiram as afirmações feitas a partir de 18 estudos originais muito citados. Concluíram que os resultados de campo variam, admitem explicações alternativas ou são limitados demais para generalizar.
Os três canais lado a lado
| Canal | O que os estudos mostram | Classe | Situação |
|---|---|---|---|
| Ar (voláteis) | Planta atacada libera compostos; vizinhas e insetos respondem | Fato documentado | Vários estudos; a intenção segue em debate |
| Folhas (cálcio) | Surtos de cálcio em plantas expostas a voláteis de vizinhas feridas | Fato documentado | Resultado de laboratório |
| Som | Estalos ultrassônicos de tomateiro e tabaco estressados | Fato documentado | Poucas espécies e condições |
| Solo (fungos) | Troca entre raiz e fungo; rede entre árvores | Consenso (micorriza) e controvérsia (rede) | Rede em disputa |
O que ainda não se sabe
A pergunta de fundo continua sem resposta: esses sinais são enviados de propósito ou são apenas liberados pela planta e aproveitados por quem está por perto? Segundo a National Geographic Brasil, é difícil dizer se eles acontecem ao acaso ou se são destinados a outra espécie.
A resposta pode ter uso prático. A mesma reportagem afirma que entender essa comunicação poderia ajudar a ampliar terras cultivadas e a adaptar a agricultura às mudanças climáticas. O Observador acrescenta que os sons talvez sirvam para saber quando uma planta precisa de água. Ambos os usos são possibilidades, e ainda não estão provados.

Veja também: As plantas têm sentimentos?
Perguntas Frequentes
As plantas conversam de verdade?
Elas trocam sinais químicos e há registros de sons, mas ainda não se sabe se os sinais são enviados de propósito. O termo conversa vai além do que os estudos mostram.
As plantas gritam quando são cortadas?
O estudo da Cell gravou estalos ultrassônicos em plantas cortadas ou sem água, que o ouvido humano não capta. A fonte descreve o som, e não mede dor.
A rede de fungos entre as árvores existe?
As micorrizas existem e ninguém as contesta. O que está em debate é se elas formam redes amplas que funcionam como canal de comunicação entre árvores.
As plantas respondem a sons?
Segundo o estudo da Cell, já foi mostrado que mudam a expressão de genes ou o açúcar do néctar. Se os estalos de outras plantas provocam resposta na natureza ainda é uma possibilidade.
- National Geographic Brasil, A ciência comprova: as plantas podem falar (acesso em 21/10/2026)
- Revista Pesquisa FAPESP, Compostos voláteis controlam interação entre vegetais e insetos (acesso em 21/10/2026)
- DOL, Vídeo: cientistas filmam plantas conversando e se protegendo (acesso em 21/10/2026)
- Revista Cultivar, Plantas ajustam crescimento ao detectar voláteis vizinhos (acesso em 21/10/2026)
- Tecmundo, Microfones ultrassônicos comprovam que plantas emitem sons (acesso em 21/10/2026)
- Itatiaia, Plantas sofrem e ficam estressadas quando estão sem água ou são cortadas (acesso em 21/10/2026)
- Observador, Plantas falam: estudo mostra que emitem sons sobretudo quando estão sob stress (acesso em 21/10/2026)
- Agroportal (texto do Público), As árvores conversam debaixo da terra? (acesso em 21/10/2026)
Aviso: este conteúdo é informativo e foi escrito com base nas fontes indicadas, que podem ser atualizadas por novas pesquisas e descobertas. Lendas e tradições são apresentadas como tal, e nada aqui substitui orientação médica, jurídica ou financeira. As imagens ilustrativas, quando criadas por inteligência artificial, não mostram pessoas, objetos ou lugares históricos reais.





