Revisado em: 22/10/2026
- Quando: 1928 (observação), 1940 e 1941 (primeiros testes) e anos 1940 (produção em massa)
- Onde: Hospital St Mary’s (Londres), Universidade de Oxford e Peoria (EUA)
- Quem: Alexander Fleming, Howard Florey, Ernst Chain e Norman Heatley
- Por que importa: foi o primeiro antibiótico produzido em larga escala e rendeu o Nobel de 1945
Como um pouco de mofo esquecido numa bancada de laboratório mudou a história da medicina? A resposta está na penicilina, uma das descobertas mais importantes do século XX.
Antes dela, uma ferida infectada, uma pneumonia ou uma infecção após uma cirurgia podiam ser fatais. Os médicos tinham poucos recursos eficazes contra bactérias.
A história começa em 1928, em Londres, com o bacteriologista Alexander Fleming. Mas a descoberta foi apenas o primeiro capítulo: transformar aquele mofo em remédio levou mais de uma década e o esforço de muita gente.
Neste artigo, você vai ver como tudo aconteceu, o que é mito e o que é fato, e por que a penicilina continua importante hoje.
Como Fleming Descobriu a Penicilina em 1928
Em 1928, Alexander Fleming trabalhava no Hospital St Mary’s, em Londres, estudando estafilococos, bactérias que causam infecções. Ao voltar de férias, ele examinou as placas de Petri deixadas na bancada.
Em uma delas havia um mofo contaminante. Ao redor dele, as colônias de bactérias estavam desfeitas. Fleming percebeu que o fungo liberava algo capaz de impedir o crescimento das bactérias.
O mofo pertencia ao gênero Penicillium, e daí vem o nome da substância. O episódio é um dos casos mais lembrados entre as invenções que surgiram de erros, embora os detalhes variem conforme o relato.
Do Acaso ao Medicamento: Oxford e a Produção em Massa
Fleming teve dificuldade para purificar e conservar a substância, e a penicilina ficou por anos como uma curiosidade científica. Na Universidade de Oxford, o bioquímico Ernst Chain encontrou o artigo de 1929 e propôs estudá-la.
Em 1939, o patologista Howard Florey montou uma equipe com Chain e Norman Heatley, especialista em cultivar o fungo. Em maio de 1940, camundongos infectados foram tratados com sucesso.
| Quem | Onde | Contribuição |
|---|---|---|
| Alexander Fleming | Londres | Observou o efeito do mofo (1928) e publicou o achado (1929) |
| Howard Florey | Oxford | Liderou a equipe, os testes em animais e os primeiros testes em pessoas |
| Ernst Chain | Oxford | Trabalhou na purificação da substância |
| Norman Heatley | Oxford e Peoria (EUA) | Desenvolveu métodos de cultivo e ajudou a ampliar a produção; não recebeu o Nobel |
Em 12 de fevereiro de 1941, Albert Alexander, que sofria de uma infecção grave, foi o primeiro paciente tratado com a penicilina de Oxford. Ele melhorou, mas o estoque acabou e ele morreu cerca de um mês depois.
Com a Grã-Bretanha concentrada no esforço da Segunda Guerra Mundial, Florey e Heatley viajaram aos Estados Unidos em 1941. Em Peoria, laboratórios do governo e empresas ampliaram a produção, e a cepa mais produtiva veio de um melão estragado de um mercado local.
- 1928 | Fleming observa o efeito do mofo sobre estafilococos.
- 1929 | Fleming publica suas observações.
- 1939 | Florey monta a equipe de Oxford.
- 1940 | Testes bem-sucedidos em camundongos.
- 1941 | Primeiro paciente em Oxford e viagem aos EUA.
- 1945 | Nobel de Fisiologia ou Medicina para Fleming, Florey e Chain.
A Revolução no Tratamento de Infecções
Com a penicilina, infecções que antes costumavam ser fatais passaram a ter tratamento eficaz. Feridas infectadas, pneumonias bacterianas e a sífilis estão entre as doenças que ela ajudou a combater.
Ela atua impedindo que certas bactérias construam a parede que protege suas células, e por isso não funciona contra vírus. Esse sucesso abriu caminho para a invenção do antibiótico como classe de medicamentos e para o desenvolvimento de muitos outros.
Desafios: a Resistência Bacteriana
Com o uso em larga escala, surgiram bactérias capazes de resistir à penicilina. Registros apontam casos clínicos já em 1947. Um dos mecanismos é a penicilinase, enzima que destrói a penicilina antes de ela agir.
O processo é uma seleção natural: o antibiótico elimina as bactérias sensíveis e as resistentes sobrevivem e se multiplicam. A ciência respondeu com penicilinas modificadas, associações com substâncias que bloqueiam a enzima e outros antibióticos, inclusive de espectro mais amplo, que também exigem uso criterioso.
No discurso de recebimento do Nobel, Fleming já advertia que tomar doses insuficientes de penicilina poderia tornar as bactérias resistentes. O aviso, feito há quase 80 anos, segue atual.
Para que a Penicilina É Usada Hoje
Infecções respiratórias
Antibióticos da família das penicilinas podem ser indicados em certas infecções respiratórias bacterianas, como algumas faringites e pneumonias. Quando a causa é um vírus, como no resfriado e na gripe, eles não ajudam.
Infecções de pele
Em infecções bacterianas da pele, como celulite e impetigo, o médico pode indicar uma penicilina ou outro antibiótico, conforme a bactéria e a gravidade. A escolha e a duração do tratamento devem sempre vir de um profissional de saúde.

Conclusão
Do mofo esquecido por Fleming às fábricas da guerra, a história da penicilina mostra que um achado ao acaso só muda o mundo quando muita gente trabalha para transformá-lo em solução. Hoje, o desafio é manter os antibióticos eficazes. Que outras descobertas você imagina que nasceram de um descuido?
Veja também: Revolução médica: do antibiótico à vacinação
Perguntas Frequentes
Quem descobriu a penicilina e quando?
Alexander Fleming observou o efeito antibacteriano do mofo Penicillium em 1928 e publicou o achado em 1929. Florey, Chain e Heatley, em Oxford, a transformaram em medicamento.
A descoberta da penicilina foi acidental?
Em parte. A contaminação da placa foi ao acaso, mas Fleming reconheceu a importância do que viu. Transformar o achado em remédio exigiu anos de pesquisa planejada.
Quando a penicilina passou a ser usada em pessoas?
Os primeiros testes em pacientes ocorreram em Oxford, em 1941. A produção em larga escala se desenvolveu nos Estados Unidos ao longo da Segunda Guerra Mundial.
A penicilina funciona contra vírus?
Não. Ela age apenas contra bactérias sensíveis, e por isso não trata resfriado nem gripe. Só um profissional de saúde pode indicar um antibiótico.
Por que algumas bactérias resistem à penicilina?
Algumas produzem enzimas, como a penicilinase, que destroem o medicamento. O uso desnecessário ou incompleto favorece a sobrevivência das bactérias resistentes.
- American Chemical Society, Discovery and Development of Penicillin
- CDC, Emerging Infectious Diseases, vol. 23, n. 5 (2017), The Discovery of Penicillin
- NobelPrize.org, Alexander Fleming, Nobel Lecture (1945)
- The National WWII Museum, Penicillin fact sheet
- REACT Group, The discovery of antibiotics







