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Natureza e Meio Ambiente

Quanto do Fundo do Mar Já Foi Explorado? Mapeado X Visto

Veja quanto do fundo do mar já foi mapeado e quanto foi visto de perto, com dados de 2026 e fontes citadas. Leia e confira os números.

Navio de pesquisa em mar aberto ao amanhecer, com feixes de sonar descendo pela água azul-petróleo
Dados conferidos em 17/10/2026 | Os percentuais, as profundidades e as áreas citados aqui foram pesquisados nas fontes indicadas ao longo do texto. Eles podem mudar com novos mapeamentos e medições.
Em Resumo:

  • Resposta curta: depende do que se conta. Em 20 de abril de 2026, 28,7% do fundo do mar estava mapeado em alta resolução. O que foi visto de perto é uma fração minúscula do oceano profundo.
  • Mapa não é visita: o sonar mostra o relevo, mas só submersíveis, robôs e câmeras mostram o que existe lá embaixo.
  • Ponto mais fundo: o Challenger Deep, perto de 11 mil metros. As estimativas variam conforme o método de medição.
  • O que ainda é incerto: a profundidade exata do Challenger Deep e se a meta de mapear tudo até 2030 será cumprida.

Quanto do fundo do mar já foi explorado? A resposta muda conforme a palavra escolhida: mapeado ou visto. Os dois números são muito diferentes, e misturá-los é o que gera tanta confusão.

Aqui os dois ficam separados. Você vê a série de percentuais de mapeamento, com a fonte de cada número, o que já foi observado de perto e o que se sabe sobre o ponto mais fundo do oceano, com as incertezas que ainda existem.

Quanto Do Fundo Do Mar Ja Foi Explorado Relevo Submarino
Imagem ilustrativa gerada por IA. Relevo de fundo do mar para ilustrar quanto já foi mapeado, sem representar um local real.

Mapeado, visto e explorado: o que cada palavra mede

O fundo do oceano inteiro já tem mapa, mas feito por satélite. Segundo a NOAA, a agência oceânica dos Estados Unidos (fonte em inglês), esse tipo de dado dá só um quadro geral, e feições como montes submarinos e naufrágios continuam invisíveis nele.

Para enxergar mais detalhe, usa-se sonar multifeixe, em geral instalado em navios. É por esse padrão de alta resolução que o projeto Seabed 2030 conta quanto do fundo está mapeado. Ele é uma parceria entre a Fundação Nippon e o GEBCO, a carta batimétrica geral dos oceanos, e foi anunciado em 2017, na Conferência do Oceano das Nações Unidas, segundo a Marinha do Brasil. A mesma Marinha informa que o GEBCO foi idealizado em 1903.

Nível de conhecimentoO que significaQuanto já existeFonte
Mapa por satéliteCobre o oceano inteiro, com pouco detalheFundo inteiroNOAA (em inglês)
Mapa de sonar em alta resoluçãoMostra o relevo com detalhe, mas não o que vive nele28,7% (em 20/04/2026)Seabed 2030 (em inglês)
Visto por exploradoresFundo profundo observado diretamenteMenos de 0,001%NOAA (em inglês); resumo em português do Olhar Digital

Explorar, nos termos da NOAA, vai além do mapa: é ver, coletar e catalogar. O mapa indica relevo e possíveis habitats, mas não identifica espécies nem mostra como os organismos convivem.

Como o mapeamento avançou desde 2017

A tabela reúne os percentuais divulgados desde o lançamento do Seabed 2030. Todos seguem o padrão de alta resolução do projeto.

DataFundo mapeadoFonte
2017 (lançamento)Cerca de 6%Olhar Digital, 2025
202019%Marinha do Brasil, 2021
2021Cerca de 20%BBC Future, via Correio Braziliense, 2023
202223,3%Mesma matéria da BBC Future
202324,9%Mesma matéria da BBC Future
21/06/202527,3%Seabed 2030 (em inglês)
20/04/202628,7%Seabed 2030 (em inglês)

Em área, o número mais recente equivale a cerca de 104 milhões de km², segundo o projeto, e a atualização de 2026 trouxe quase 5 milhões de km² novos em um ano. Os dados entram numa grade pública e gratuita, a GEBCO, e já vieram de 220 organizações.

O ritmo atual cumpre a meta de 2030?

A meta do projeto, segundo a Marinha do Brasil, é obter o recobrimento total do fundo marinho até 2030. Pelo percentual mais recente, restam cerca de 71% do fundo.

Vale fazer a conta. Mesmo contando até o fim de 2030, seria preciso mapear mais de 15 pontos percentuais por ano. No último ano, o avanço foi de cerca de 1,4 ponto, os quase 5 milhões de km² já citados. É uma conta feita aqui com os números do projeto, não uma projeção oficial.

Ainda em aberto | O projeto mantém a meta de cobertura total. Já um texto da BBC Future, de 2023, republicado pelo Correio Braziliense, aponta obstáculos: o ritmo diminuiu depois de 2021, mapear águas internacionais remotas é caro, e só cerca de um terço dos 98 Estados membros da Organização Hidrográfica Internacional permitia dados colaborativos em suas águas territoriais. O texto avalia que o mapa completo pode ficar fora de alcance por muitas décadas.

Quanto já foi visto de perto

Ver o fundo é outra história. Segundo a NOAA, os exploradores viram menos de 0,001% do fundo do oceano profundo, uma área comparável à do estado americano de Rhode Island. O oceano profundo, abaixo de 200 metros, soma mais de 90% do oceano, e a imensa maioria dele segue sem observação direta.

O Olhar Digital resume, em português, o estudo da revista Science Advances por trás dessa conta. Foram analisadas mais de 43 mil expedições com submersíveis de 14 países, e a área vista ficou entre 2.130 e 3.823 km². Os registros se concentram perto dos Estados Unidos, do Japão e da Nova Zelândia, e a taxa de observação é de cerca de 3 km² por ano, segundo a reportagem.

Mito x Verdade | Mito: só 5% do oceano foi explorado. O que a fonte mostra: o número não corresponde a nenhuma das duas medições disponíveis. O mapa de alta resolução está bem acima disso, e a observação direta do fundo profundo, bem abaixo, segundo a NOAA. A agência só considera explorado o que foi visto.

O ponto mais fundo: o que já foi medido e visitado

O ponto mais fundo conhecido é o Challenger Deep, no sul da Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico. O nome homenageia os navios britânicos HMS Challenger e HMS Challenger II, que o sondaram em 1875 e em 1951. A linha do tempo abaixo segue o artigo da revista Oceanography, de 2021 (em inglês).

  1. 1 1875: o HMS Challenger registra 8.140 m na Fossa das Marianas, com sondagens tradicionais.
  2. 2 1951: o HMS Challenger II mede 10.863 m com um ecobatímetro.
  3. 3 23 de janeiro de 1960: Jacques Piccard e Don Walsh fazem o primeiro mergulho tripulado, no batiscafo Trieste. Os instrumentos marcaram 11.521 m, valor depois revisado para 10.916 m.
  4. 4 26 de março de 2012: o cineasta James Cameron faz o segundo mergulho tripulado, sozinho, e registra 10.908 m.
  5. 5 28 de abril de 2019: Victor Vescovo, no submersível Limiting Factor, registra 10.925 m, com margem de 4 m. Ele repete a descida em 1º de maio.
  6. 6 2021: o próprio artigo estima 10.983 m, com margem de 6 m, a partir do eco de uma implosão de instrumento registrada em 2014.
Qual é a profundidade exata? | Segundo a Oceanography, 20 estimativas foram publicadas desde 1951, e elas variam conforme o método e o ponto medido. A discussão sobre onde fica o ponto mais fundo e quanto ele mede continua aberta. A CNN Brasil cita uma estimativa atualizada em 2021 de cerca de 10.935 m e arredonda para cerca de 11 mil metros.

Descer até lá exige resistir a uma pressão enorme. A NOAA, segundo a CNN Brasil, indica que a pressão sobe 1 atmosfera a cada 10 metros. Por essa regra, no Challenger Deep a pressão passa de mil vezes a da superfície (conta feita aqui).

Na descida de 1960, Piccard e Walsh disseram ter se surpreendido ao ver criaturas vivas onde os cientistas julgavam impossível haver vida, de acordo com a mesma reportagem.

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E o Brasil nesse mapa?

A Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), o serviço hidrográfico brasileiro, contribui com o Seabed 2030 desde o lançamento, segundo a Marinha do Brasil. Na atualização de abril de 2026, o projeto listou dados de multifeixe da DHN entre as novas contribuições (Seabed 2030, em inglês).

Para ver o que já se encontrou nas profundezas, leia os maiores mistérios do oceano.

Quanto Do Fundo Do Mar Ja Foi Explorado Agua Profunda
Imagem ilustrativa gerada por IA. Cena de oceano profundo para acompanhar o artigo sobre quanto do fundo do mar já foi explorado, sem mostrar um local real.

Veja também: Curiosidades sobre o fundo do mar e seus mistérios

Perguntas Frequentes

Quanto do fundo do mar já foi mapeado?

Em 20 de abril de 2026, o projeto Seabed 2030 informou 28,7% em alta resolução. O fundo inteiro tem mapa de satélite, mas com pouco detalhe, segundo a NOAA.

Quanto do fundo do mar já foi realmente visto?

Menos de 0,001% do fundo do oceano profundo, segundo a NOAA. É uma área comparável à de Rhode Island.

Qual é o ponto mais fundo do oceano?

O Challenger Deep, na Fossa das Marianas, perto de 11 mil metros. As estimativas publicadas ficam entre cerca de 10.900 e 10.980 metros, conforme o método de medição.

Quem mapeia o fundo do mar?

O Seabed 2030, parceria entre a Fundação Nippon e o GEBCO, reúne dados de 220 organizações. No Brasil, a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha contribui desde o lançamento.

O oceano será totalmente explorado um dia?

A NOAA afirma que o oceano nunca será totalmente explorado, porque a Terra muda o tempo todo e é preciso acompanhar essas mudanças.

Fontes consultadas

Aviso: este conteúdo é informativo e foi escrito com base nas fontes indicadas, que podem ser atualizadas por novas pesquisas e descobertas. Lendas e tradições são apresentadas como tal, e nada aqui substitui orientação médica, jurídica ou financeira. As imagens ilustrativas, quando criadas por inteligência artificial, não mostram pessoas, objetos ou lugares históricos reais.

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Carl James

Sou Carl James, apaixonado por revelar o extraordinário escondido no cotidiano. No blog A História das Coisas, exploro as origens e curiosidades dos objetos e conceitos que fazem parte do nosso dia a dia. Se você ama uma boa história, explore o blog e mude sua forma de enxergar o mundo!

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