- Resposta curta: depende do que se conta. Em 20 de abril de 2026, 28,7% do fundo do mar estava mapeado em alta resolução. O que foi visto de perto é uma fração minúscula do oceano profundo.
- Mapa não é visita: o sonar mostra o relevo, mas só submersíveis, robôs e câmeras mostram o que existe lá embaixo.
- Ponto mais fundo: o Challenger Deep, perto de 11 mil metros. As estimativas variam conforme o método de medição.
- O que ainda é incerto: a profundidade exata do Challenger Deep e se a meta de mapear tudo até 2030 será cumprida.
Quanto do fundo do mar já foi explorado? A resposta muda conforme a palavra escolhida: mapeado ou visto. Os dois números são muito diferentes, e misturá-los é o que gera tanta confusão.
Aqui os dois ficam separados. Você vê a série de percentuais de mapeamento, com a fonte de cada número, o que já foi observado de perto e o que se sabe sobre o ponto mais fundo do oceano, com as incertezas que ainda existem.

Mapeado, visto e explorado: o que cada palavra mede
O fundo do oceano inteiro já tem mapa, mas feito por satélite. Segundo a NOAA, a agência oceânica dos Estados Unidos (fonte em inglês), esse tipo de dado dá só um quadro geral, e feições como montes submarinos e naufrágios continuam invisíveis nele.
Para enxergar mais detalhe, usa-se sonar multifeixe, em geral instalado em navios. É por esse padrão de alta resolução que o projeto Seabed 2030 conta quanto do fundo está mapeado. Ele é uma parceria entre a Fundação Nippon e o GEBCO, a carta batimétrica geral dos oceanos, e foi anunciado em 2017, na Conferência do Oceano das Nações Unidas, segundo a Marinha do Brasil. A mesma Marinha informa que o GEBCO foi idealizado em 1903.
| Nível de conhecimento | O que significa | Quanto já existe | Fonte |
|---|---|---|---|
| Mapa por satélite | Cobre o oceano inteiro, com pouco detalhe | Fundo inteiro | NOAA (em inglês) |
| Mapa de sonar em alta resolução | Mostra o relevo com detalhe, mas não o que vive nele | 28,7% (em 20/04/2026) | Seabed 2030 (em inglês) |
| Visto por exploradores | Fundo profundo observado diretamente | Menos de 0,001% | NOAA (em inglês); resumo em português do Olhar Digital |
Explorar, nos termos da NOAA, vai além do mapa: é ver, coletar e catalogar. O mapa indica relevo e possíveis habitats, mas não identifica espécies nem mostra como os organismos convivem.
Como o mapeamento avançou desde 2017
A tabela reúne os percentuais divulgados desde o lançamento do Seabed 2030. Todos seguem o padrão de alta resolução do projeto.
| Data | Fundo mapeado | Fonte |
|---|---|---|
| 2017 (lançamento) | Cerca de 6% | Olhar Digital, 2025 |
| 2020 | 19% | Marinha do Brasil, 2021 |
| 2021 | Cerca de 20% | BBC Future, via Correio Braziliense, 2023 |
| 2022 | 23,3% | Mesma matéria da BBC Future |
| 2023 | 24,9% | Mesma matéria da BBC Future |
| 21/06/2025 | 27,3% | Seabed 2030 (em inglês) |
| 20/04/2026 | 28,7% | Seabed 2030 (em inglês) |
Em área, o número mais recente equivale a cerca de 104 milhões de km², segundo o projeto, e a atualização de 2026 trouxe quase 5 milhões de km² novos em um ano. Os dados entram numa grade pública e gratuita, a GEBCO, e já vieram de 220 organizações.
O ritmo atual cumpre a meta de 2030?
A meta do projeto, segundo a Marinha do Brasil, é obter o recobrimento total do fundo marinho até 2030. Pelo percentual mais recente, restam cerca de 71% do fundo.
Vale fazer a conta. Mesmo contando até o fim de 2030, seria preciso mapear mais de 15 pontos percentuais por ano. No último ano, o avanço foi de cerca de 1,4 ponto, os quase 5 milhões de km² já citados. É uma conta feita aqui com os números do projeto, não uma projeção oficial.
Quanto já foi visto de perto
Ver o fundo é outra história. Segundo a NOAA, os exploradores viram menos de 0,001% do fundo do oceano profundo, uma área comparável à do estado americano de Rhode Island. O oceano profundo, abaixo de 200 metros, soma mais de 90% do oceano, e a imensa maioria dele segue sem observação direta.
O Olhar Digital resume, em português, o estudo da revista Science Advances por trás dessa conta. Foram analisadas mais de 43 mil expedições com submersíveis de 14 países, e a área vista ficou entre 2.130 e 3.823 km². Os registros se concentram perto dos Estados Unidos, do Japão e da Nova Zelândia, e a taxa de observação é de cerca de 3 km² por ano, segundo a reportagem.
O ponto mais fundo: o que já foi medido e visitado
O ponto mais fundo conhecido é o Challenger Deep, no sul da Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico. O nome homenageia os navios britânicos HMS Challenger e HMS Challenger II, que o sondaram em 1875 e em 1951. A linha do tempo abaixo segue o artigo da revista Oceanography, de 2021 (em inglês).
- 1 1875: o HMS Challenger registra 8.140 m na Fossa das Marianas, com sondagens tradicionais.
- 2 1951: o HMS Challenger II mede 10.863 m com um ecobatímetro.
- 3 23 de janeiro de 1960: Jacques Piccard e Don Walsh fazem o primeiro mergulho tripulado, no batiscafo Trieste. Os instrumentos marcaram 11.521 m, valor depois revisado para 10.916 m.
- 4 26 de março de 2012: o cineasta James Cameron faz o segundo mergulho tripulado, sozinho, e registra 10.908 m.
- 5 28 de abril de 2019: Victor Vescovo, no submersível Limiting Factor, registra 10.925 m, com margem de 4 m. Ele repete a descida em 1º de maio.
- 6 2021: o próprio artigo estima 10.983 m, com margem de 6 m, a partir do eco de uma implosão de instrumento registrada em 2014.
Descer até lá exige resistir a uma pressão enorme. A NOAA, segundo a CNN Brasil, indica que a pressão sobe 1 atmosfera a cada 10 metros. Por essa regra, no Challenger Deep a pressão passa de mil vezes a da superfície (conta feita aqui).
Na descida de 1960, Piccard e Walsh disseram ter se surpreendido ao ver criaturas vivas onde os cientistas julgavam impossível haver vida, de acordo com a mesma reportagem.
E o Brasil nesse mapa?
A Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), o serviço hidrográfico brasileiro, contribui com o Seabed 2030 desde o lançamento, segundo a Marinha do Brasil. Na atualização de abril de 2026, o projeto listou dados de multifeixe da DHN entre as novas contribuições (Seabed 2030, em inglês).
Para ver o que já se encontrou nas profundezas, leia os maiores mistérios do oceano.

Veja também: Curiosidades sobre o fundo do mar e seus mistérios
Perguntas Frequentes
Quanto do fundo do mar já foi mapeado?
Em 20 de abril de 2026, o projeto Seabed 2030 informou 28,7% em alta resolução. O fundo inteiro tem mapa de satélite, mas com pouco detalhe, segundo a NOAA.
Quanto do fundo do mar já foi realmente visto?
Menos de 0,001% do fundo do oceano profundo, segundo a NOAA. É uma área comparável à de Rhode Island.
Qual é o ponto mais fundo do oceano?
O Challenger Deep, na Fossa das Marianas, perto de 11 mil metros. As estimativas publicadas ficam entre cerca de 10.900 e 10.980 metros, conforme o método de medição.
Quem mapeia o fundo do mar?
O Seabed 2030, parceria entre a Fundação Nippon e o GEBCO, reúne dados de 220 organizações. No Brasil, a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha contribui desde o lançamento.
O oceano será totalmente explorado um dia?
A NOAA afirma que o oceano nunca será totalmente explorado, porque a Terra muda o tempo todo e é preciso acompanhar essas mudanças.
- NOAA Ocean Exploration, How much of the ocean has been explored?, atualizada em 20/04/2026 (em inglês) (acesso em 17/10/2026)
- Seabed 2030, comunicado de 20/04/2026 (em inglês) (acesso em 17/10/2026)
- Seabed 2030, comunicado de 21/06/2025 (em inglês) (acesso em 17/10/2026)
- Loranger, Barclay e Buckingham, Implosion in the Challenger Deep, Oceanography, 2021 (em inglês) (acesso em 17/10/2026)
- Marinha do Brasil, DHN: Projeto GEBCO e Fundação Nippon conduzem projeto Seabed 2030 (acesso em 17/10/2026)
- Marinha do Brasil, DHN: assento em comitê diretor do GEBCO (acesso em 17/10/2026)
- CNN Brasil: 11 km e visita de James Cameron, 6 fatos sobre o ponto mais fundo da Terra (acesso em 17/10/2026)
- Olhar Digital: Conhecemos menos de 1% das profundezas do oceano (acesso em 17/10/2026)
- Correio Braziliense (BBC Future): A corrida para mapear o fundo do oceano (acesso em 17/10/2026)
Aviso: este conteúdo é informativo e foi escrito com base nas fontes indicadas, que podem ser atualizadas por novas pesquisas e descobertas. Lendas e tradições são apresentadas como tal, e nada aqui substitui orientação médica, jurídica ou financeira. As imagens ilustrativas, quando criadas por inteligência artificial, não mostram pessoas, objetos ou lugares históricos reais.






